quarta-feira, 21 de abril de 2010

O país do futuro da China.

Belo Monte, caraca, é o tema do momento. James Cameron, diretor de "Avatar", quer trazer a mesma discussão do filme para o pais e acaba criando uma caricatura. Fica uma discussão entre: querer 3D ou dar a liberdade de ecossistema para o Nav'i. Para, não é esta a discussão. Temos que discutir a insegurança juridica do investimento, a sustentabilidade e, sobretudo, o que o investimento privado tem a ver com o projeto de desenvolvimento regional do estado.

Impressionante como não temos projeto de nada. Não pensamos no longo prazo.  Quem pensa em 30 anos?  Nem a previdência pensa em tão longo prazo.

Brasileiro tem memória curta mesmo. Não lembra do passado e está se lixando para o futuro. Não sei se anos de promessa de que o Brasil seria o "pais do futuro" nos fez rifar o futuro, não vejo ninguém preocupado com o futuro.

Vejo projetos de poder dos partidos mas projeto para o país, nada. Alguém já pensou que se o PT ganhar a eleição teremos mais 16 anos de PT  (8 da Dilma e mais 8 do Lula que voltará)? Vejo o estrago que anos de um partido faz, moro em Sao Paulo e o PSDB está por aqui faz tempo.....Acomoda, no mínimo.

Agora, pensando em política pública,  não me sinto nem um pouco confortável de saber que não temos alguém pensando em nossso futuro.

Temos grandes fundos financeiros fazendo exercícios de visão no curto prazo sobre as  commodities, nivel de dolar, taxa de juros, preço da terra, e por ai vai.....Mas o que queremos ser?

Tem o bla bla bla da doença holandesa, do pre sal, dos preços dos minérios  e commodities.  Dai a argumentação sobre se deixaremos de ser um país industrializado. Poxa, temos uma estrutura industrial maravilhosa, o esforço empreendedor e estatal para montar um parque industrial que fizemos no I PND e, sobretudo, no II PND, somados aos ajustes terroristas da era Collor e FHC, deixou um herança de deixar inveja a muitos paíeses.

Esta estrutura diversificada tem em sua matriz diversos tipos de setores. No entanto, o  que sobra para nós são :  a) a concorrência em escala protegida pela dinâmica regional para atender ao crescimento das classes C e D que estão surgindo nas antigas periferias do desenvolvimento do capitalismo (setores tradicionais - confeccao, textil, calcados, moveis - que estao protegidos pela localizacao regional de nosso pais) ; b) as commodities que venderemos para países dinâmicos (China e outros). c) Competir em funções que não sejam estritamente a manufatura, ou seja agregar valor aos nossos produtos.

Esta última via não é uma caminho novo, Timoty Sturgeon nos faz a pergunta: A manufatura importa?????  desde 1997. O importante é ter um design, marca, distribuição, financiamento da cadeia e outras formas  de se apropriar do valor gerado na cadeia que não seja produzindo. 

A questão que surge é: será que  temos "as manhas"?  Temos grandes escritórios de publicidade e criativos que podem nos ajudar a construir marcas;  temos problemas na qualidade para distribuição; temos problemas no sistema financeiro e não conseguimos financiar a cadeia produtiva; somos criativos mas não temos a minima tradição de design....

O que nos restará?

Outro dia vi um artigo do Delfim Netto dizendo que estavamos exercendo o papel que a Africa exerceu  no processo de desenvolvimento para as grandes potências, só que para a China.

Será que é isto que o futuro nos reservou?

Eu cresci ouvindo que o Brasil era o país do futuro. Agora que cheguei no futuro será que verei que seremos o país do futuro da China?

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